Opiniões e Respostas

Sobre a conduta inadequada de um funcionário e a prevenção de novas ocorrências

Minha filha foi ao Centro de Saúde para a consulta de acompanhamento dos 3 meses de seu filho, meu neto. Durante a medição, a parteira responsável pediu que ela dissesse o nome da criança. Minha filha tem gagueira e, segundo ela, teve dificuldade para falar e acabou gaguejando. Fui informado de que, nesse momento, duas parteiras riram da maneira como ela falava e chegaram a imitá-la. Minha filha ficou muito magoada e depois entrou em contato comigo.  
Após relatar o ocorrido por e-mail, recebi uma ligação de um responsável, que pediu desculpas.
No entanto, durante a ligação, foi explicado que “as parteiras responsáveis sempre procuram atender de forma alegre e pretendiam descontrair o ambiente”. Essa explicação me causou grande desconforto.  
A gagueira está abrangida pela Lei de Apoio às Pessoas com Transtornos do Desenvolvimento. As “Diretrizes da Lei de Eliminação da Discriminação contra Pessoas com Deficiência para Empresas da Área da Saúde”, do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, estabelecem expressamente que, no atendimento a pessoas com gagueira, deve-se “não repreendê-las, adotar uma atitude de rejeição, rir delas ou zombar delas”.  
Além disso, a Lei de Eliminação da Discriminação contra Pessoas com Deficiência exige que os órgãos públicos não pratiquem tratamento discriminatório injustificado em razão de deficiência e ofereçam adaptações razoáveis. Também nos exames de saúde para bebês e crianças na primeira infância realizados pelo município, deve ser garantido um ambiente em que os usuários possam receber atendimento com tranquilidade. Considero que rir da maneira de falar de uma pessoa com gagueira ou imitá-la é incompatível, no mínimo, com a conduta adequada indicada pelo governo nacional. Mesmo que as profissionais não tenham agido com má intenção e tenham pretendido “descontrair o ambiente”, o resultado é que a pessoa afetada fica profundamente magoada e passa a sentir insegurança e desconfiança em relação aos serviços públicos.  
Os exames de saúde e os serviços públicos devem estar disponíveis para que todos os cidadãos possam utilizá-los com tranquilidade, independentemente de terem ou não uma deficiência. Para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer, solicito que sejam reforçadas a conscientização e a formação dos funcionários e das empresas contratadas envolvidos em exames de saúde e em atividades médicas e administrativas, a fim de promover uma compreensão correta das deficiências em geral, incluindo a gagueira, e uma atuação adequada com base nas diretrizes oficiais.  

Diante disso, gostaria de perguntar: que tipos de treinamento sobre direitos humanos e compreensão das deficiências a cidade de Inagi oferece atualmente aos seus funcionários e aos trabalhadores das empresas contratadas? Gostaria também de solicitar esclarecimentos sobre as medidas que serão adotadas para evitar a repetição de situações semelhantes após este ocorrido.  
Independentemente de as parteiras serem funcionárias municipais ou trabalharem para empresas contratadas, solicito enfaticamente que recebam educação e formação abrangentes sobre deficiências, a forma adequada de tratar pessoas com deficiência e o respeito aos direitos humanos, tendo em vista seu contato com os cidadãos.  
Solicito uma resposta sincera e melhorias concretas para que Inagi seja uma cidade onde todos possam utilizar os serviços de exames de saúde e os serviços públicos com tranquilidade.

Resposta

Pedimos sinceras desculpas pelo grande desconforto e pelos transtornos causados pela atitude do funcionário.
A cidade de Inagi realiza anualmente o “Treinamento em assistência às pessoas com deficiência” e o “Treinamento de conscientização sobre direitos humanos”, com o objetivo de promover a compreensão dos direitos humanos e das deficiências.
No treinamento sobre assistência às pessoas com deficiência, destinado aos servidores em seu segundo ano de serviço, contamos com a colaboração de familiares de pessoas com deficiência e de organizações de apoio do município. O treinamento oferece a oportunidade de ouvir diretamente seus relatos sobre a vida cotidiana e suas atividades, refletir sobre o que os servidores municipais podem e devem fazer e aprender o que são adaptações razoáveis.
Além disso, o “Treinamento de Conscientização sobre Direitos Humanos”, destinado aos funcionários promovidos a cargos de chefia, oferece uma oportunidade para conscientizá-los sobre a existência de discriminação inconsciente e sobre a importância de tratar com consideração as minorias sexuais, as pessoas com deficiência e outros grupos.
Apesar da realização desses treinamentos, levamos muito a sério a questão apontada nesta ocasião e voltamos a orientar o funcionário em questão e seu superior.
Para evitar que isso volte a ocorrer, compartilharemos este caso com todos os profissionais envolvidos nos exames de saúde e, conforme necessário, ofereceremos treinamentos e orientações no local de trabalho, para que ajam com consideração pelos outros e desempenhem suas funções com dedicação, mantendo uma postura e um atendimento condizentes com o serviço público.

Categoria
Outros > Atendimento ao Funcionário
Departamento Responsável
Departamento de Assuntos Gerais, Divisão de Recursos Humanos
Data de Publicação
29 de outubro de 2026
Data de Recebimento
14 de outubro de 2026
Número de gestão
P00000240

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